11 de Setembro


Acordei no horário de costume naquele dia. Me preparei no apartamento que alugava da Universidade de Illinois e saí para o laboratório de pesquisas onde estudava havia duas semanas. Lá pelas 9h o meu orientador entrou na sala onde ficavam os alunos e pesquisadores e disse algo que entendi que era um avião que tinha se chocado num prédio em Nova York e estava lá estacionado num andar, pegando fogo. Exclamei: “Pô! Preciso treinar mais o meu ouvido para o inglês. Tô entendendo cada coisa!”

De qualquer modo, o ambiente andava pesado, as pessoas estavam tristes e silenciosas. Vi na tela do computador de um colega um prédio pegando fogo. Tentei entrar na CNN. Ela estava fora do ar. Entrei num site de notícias brasileiro. Aí comecei a perceber o absurdo que estava sendo testemunha ocular. Daqui alguns minutos pela tela do computador vi o segundo avião chocar com outra torre. Espanto! A América estava sendo atacada! Mas por quem? Era a pergunta que cruzava minha mente.

Lia no site de notícias do Brasil que havia ainda quatro aviões nos céus da América que não atendiam as ordens do tráfego aéreo e poderiam atingir outros alvos. Lia que o presidente, o vice-presidente dos EUA, o prefeito de Nova York estavam escondidos e protegidos pelo FBI. Me deu vontade de me esconder também e de requisitar um agente para a minha proteção. Desnecessário dizer que ninguém estudou ou trabalhou naquele dia. Só deu para ficar na frente de telas naquele dia: tela de computador e tela de televisão tentando entender o que estava acontecendo.

Duas coisas que aconteceram comigo nos dias seguintes foram mais reveladoras do que as tentativas de análise daquele absurdo. A primeira foi um pastor que pregava o fim do mundo nos jardins da Universidade no dia seguinte ao ataque. Minha lógica inflexível se levantou e anunciou pomposamente: “Velho, se o fim-do-mundo não foi ontem, não será hoje e provavelmente não será nunca mais!”. A segunda coisa marcante aconteceu, alguns dias depois do ataque, quando ao caminhar pelo bairro residencial próximo onde morava, estanquei o passo quando vi a seguinte placa, fixada na parede de uma típica casa americana: “WE WILL NEVER FORGET!”, em letras garrafais, quase gritando em sua cara. Aí percebi que Bin Laden estava frito, meu irmão. Provocou um povo muito orgulhoso, que não foge da luta. Os americanos iriam atrás dele para vingar aquele dia. E a vingança possível era matá-lo. Podia demorar, mas ia acontecer com certeza.

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