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Adivinhe Quem Vem para o Café da Manhã

abril 24, 2016

japa da federal

Apesar de todo o terremoto político que o Partido dos Trabalhadores enfrenta no momento, o Lula aparece em primeiro lugar na última pesquisa sobre eleições presidenciais de um instituto de opinião pública. Luís Inácio lidera as intenções de voto com 21%, na frente de Marina (19%) e Aécio (17%).

Isso deu uma certa animada na companheirada. Talvez por isso muitos petistas estejam defendendo que a Dilma convoque eleições presidenciais antecipadas para outubro deste ano. Enquanto traça seu sanduíche de mortadela e bebe uma tubaína, o petralha típico deve estar pensando o seguinte na sua microcabecinha: quando tiver as eleições em outubro deste ano, o Lula vence mais uma e, com isso, não precisamos largar a rapadura do poder, que é bem doce, meus caros!

Bem, vou dar uma má notícia (mais uma!) para os petistas. Essa perspectiva acalentada pela companheirada não passa de um sonho de verão eleitoral. É quase impossível o Lula ganhar as eleições presidenciais neste ano e nos próximos.

E quem prevê isso não sou eu, mas o teorema do eleitor mediano. Esse teorema da economia política estabelece que o eleitor mediano é soberano, no sentido de que a maioria do eleitorado gerará o resultado preferido por este eleitor, quando são apresentadas apenas duas alternativas. O eleitor mediano é aquele que se encontra no meio da distribuição de preferências eleitorais, dividindo esta distribuição exatamente em duas metades.

Alguém pode questionar que o modelo do eleitor mediano não pode ser aplicada às eleições brasileiras porque elas envolvem mais do que duas alternativas de candidatos. Sim, isso está correto no primeiro turno do pleito. Entretanto, no segundo turno, só existem duas opções de candidatura e vale o teorema do eleitor mediano.

A ironia é que Lula conseguiu se aproximar do eleitor mediano nas eleições de 2002 com aquela estória de “Lulinha Paz e Amor”, criada brilhantemente pelo Duda Mendonça, seu marqueteiro à época. De modo prático, naquelas eleições, Lula conquistou o voto da classe média, quebrando resistências históricas desta classe para com ele.

Com mensalão, petrolão, o populismo de esquerda e o próprio cansaço do material (afinal, são treze longos anos de governo petista), o eleitor mediano afastou-se novamente de Lula. Inclusive o eleitor mediano deve ter migrado um pouco mais para a direita da distribuição de preferências eleitorais na política brasileira. A taxa de rejeição de 53% dos pesquisados ao nome de Lula, que dizem que de jeito nenhum votam nele, quantifica esse afastamento. Lula provavelmente consegue chegar ao segundo turno, pregando um discurso de esquerda. Mas aí todos os demais eleitores de vários matizes ideológicos (centro, centro-direita, direita e até uma parte da centro-esquerda) unem-se para derrotá-lo.

Note como funciona o modelo do eleitor mediano. O fato de Lula ser rechaçado pelo eleitor mediano não significa que um candidato direitista, como Bolsonaro, tenha chance de vencer as eleições. O eleitor mediano também encontra-se longe dele, preferindo um outro candidato de perfil mais centrista.

Lula só teria chances de vencer novamente eleições presidenciais se a sua taxa de rejeição caísse consideravelmente para algo como uns trintas pontos percentuais. Coisa difícil de vislumbrar num horizonte de tempo razoável. As lambanças dele e de seu partido no poder nesses últimos treze anos serão lembradas pela história durante muito tempo, afastando definitivamente o eleitor mediano dele. Nunca antes na história deste País, houve tanta lambança e barbeiragem na condução de um governo!

Mas toda essa análise de chances eleitorais é válida apenas se o Lula continuar solto e livre da prisão. Talvez ele não possa nem mais participar de eleições neste País. Pela quantidade de evidências, proporcionada pelas delações premiadas, de envolvimento de Lula nas mais escabrosas violações de lei, o mais provável é que, num belo dia, de manhãzinha, o homem seja acordado com o toque da campainha de sua cobertura. Ao abrir a porta, tchan-tchan-tchan-tchan!, eis que ele depara com o Japonês da Federal! Os presentinhos da PF para Lula: dois braceletes, um para cada mão, e uma passagem aérea, apenas de ida, para Curitiba a fim de ter uma conversinha séria com o juiz Sérgio Moro.

Trilha Sonora do Post

A marchinha do Japonês da Federal:

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