Archive for the ‘Pragmatismo’ Category

A ideologia dominante

março 10, 2011

Os EUA são o país mais rico e poderoso do mundo. Isso não é novidade para ninguém. Qual é o segredo deles? Bem, deve haver vários fatores. Um especificamente costuma passar despercebido. Os americanos são imbuídos de um profundo pragmatismo, a escola filosófica criada por eles.

O que vem a ser pragmatismo? É a ideologia que prega que se deve valorizar aquilo que funciona. Ponto. Simples, assim? Sim, simples assim. O cara que sabe fazer a bomba atômica é um físico alemão e foi nazista. Não importa. Traz ele para cá, ensinar os americanos a fazer bomba atômica. Se se quer mudar a matriz energética, diminuindo o peso do petróleo. Vamos ver qual país já fez isso. Ah, é o Brasil com etanol. Vamos fazer também etanol seguindo os passos do Brasil.

A coisa é assim. O que funciona, copia-se e ensina-se. O que não funciona, troca-se por algo que funciona.

É claro que dá para sofisticar essa ideia com grandes perorações sobre o sentido prático no centro da ação humana e o aspecto teleológico da utilidade como o componente vital da verdade. Ih, complicou! Deixou de ser prático. Deixou de ser pragmático. Esquece, mano.

Foi com essa ideologia que os EUA e o povo americano se formaram. É uma ideologia muito popular entre os americanos. Está na alma deles. Eles a praticam diariamente. Morei nos EUA para estudar durante um tempo. Pensei que era uma pessoa muito prática. Pelo menos, era no Brasil. Lá nos States tomei uma lição de pragmatismo nas ruas, no contato com o povo, ao comprar comida no supermercado.

Alguns pensadores e filósofos desdenham dos americanos, dizendo que foi a única corrente filosófica criada por eles. Já os franceses e os alemães tem pencas de correntes filosóficas, uma mais obscura do que a outra. Bem, os americanos simplesmente criaram a ideologia que conta. A ideologia que funciona. A ideologia dominante.

Estou falando isso por um comentário esportivo que quero fazer. Qual é a explicação para a derrota da seleção brasileira de vôlei na Olimpíada de Pequim frente aos americanos? A explicação está no pragmatismo americano! Quando o vôlei brasileiro do Bernardinho se tornou a máquina de vencer antes da olimpíada (21 vitórias em 27 finais nos últimos oito anos; nenhuma seleção de vôlei do mundo conseguiu essa proeza em qualquer época), o técnico americano não cansava de admirar o estilo de jogo brasileiro. Não cansava de admirar e de estudar… Estudou muito com o objetivo de aprender aquele estilo e fazer sua equipe tão boa ou mais que a dos próprios brasileiros. E conseguiu! Os jogadores brasileiros saíram de quadra derrotados dizendo que eles estavam impressionados. Pareciam que eles estavam jogando contra um espelho… É o caso do espelho que superou o mestre que fez o espelho. É o pragmatismo em prática no esporte!

Trilha Sonora do Post

Seja pragmático na vida. Não se preocupe! Seja feliz!

 

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Metalismo olímpico

março 9, 2011

O metalismo era uma política defendida pelos economistas mercantilistas que dominaram o pensamento econômico do século XV ao XVIII. Metalismo significa o que o nome sugere: acumular metais preciosos por um país. Uma forma de fazer isso era ter superávit comercial, isto é, mais exportações do que importações. Com isso, o país acumularia, por meio do comércio, ouro e prata. Acreditava-se que, assim, o país enriqueceria. Hoje, essa idéia é considerada pelos economistas como sendo muito ingênua: o acúmulo de metal pelo país levava a um aumento de moeda cunhada, conduzindo, no final, à inflacão dos preços, que tirava a competitividade do país, diminuindo as exportações (que ficavam mais caras) e aumentando as importações (dado que os preços dos produtos importados ficavam mais baratos relativamente aos preços dos bens internos). Mas o interessante é que essa idéia é considerada correta pelo senso comum. Pergunte para qualquer não-economista se um caminho para o desenvolvimento de um país não é vender mais do que compra do exterior. Os economistas sabem que não importa que haja déficit comercial; o que importa é um grande volume de comércio. As importações aumentam o bem-estar dos consumidores, que conseguem ter acesso a produtos com preço mais baixo que o similar nacional e/ou com uma qualidade superior.

Se, na economia, a idéia do metalismo é totalmente furada, nos jogos olímpicos, metalismo é uma idéia interessante. Quem participa da olimpíadas quer metal: ouro, prata ou bronze. Chegar às finais da modalidade não convence ninguém. Nas últimas olimpíadas, o Brasil levou a maior delegação da sua história: 469 integrantes, sendo que 277 atletas (132 mulheres e 145 homens). É muita gente. Se não for para trazer ouro, prata ou bronze é desperdício de dinheiro público. Por isso, frente a esse mar de brasucas que disputou a olimpíada de Pequim, o desempenho foi pífio: uma medalha de ouro e  cinco de bronze.

Vamos atrás do metal, moçada! Depois do Pan do Rio, foi vendida a idéia de que o Brasil era uma potência esportiva. O erro é considerar o Pan uma competição de alto nível que pode revelar heróis do esporte. O Pan é uma competição de 3a categoria. É isso aí. Por exemplo, na natação, os EUA e o Canadá levam a sua terceira equipe. Ou alguém viu o Michael Phelps no Rio? Tiago Pereira, que ganhou seis ouros no Pan, foi guindado a herói e melhor nadador brasileiro, que poderia conquistar medalhas na Olimpíada. Tiago Pereira faz parte do segundo escalão de nadadores mundiais. Essa é a dura verdade! Ele não conquistou nenhuma medalha em Pequim: nadou, nadou e nada… César Cielo já tinha durante o Pan do Rio o segundo melhor tempo do mundo nos 50 metros livres e muito próximo do recordista. Mas ele não era considerado o melhor porque havia ganhado “apenas” três ouros no Pan. Quem ganhou o contrato de publicidade com um grande banco foi Tiago e não Cielo. Hoje, como o homem mais rápido da natação, com uma medalha de ouro e outra de bronze, ninguém dúvida que César Cielo é o melhor nadador brasileiro da atualidade e de todos os tempos (o Banco deve estar arrependido agora em não ter feito o contrato com César Cielo em vez de Tiago Pereira). Ele trouxe metal da mãe das competições, que é a Olimpíada.

O que se deve fazer para o Brasil se transformar numa potência olímpica? Bem, tem que ganhar bastante metal de qualquer material. E aí precisa ser pragmático, o que os brasileiros às vezes não conseguem ser. Não adianta muito jogar dinheiro de estatais em esportes coletivos que ganham apenas uma medalha. Estou falando de vôlei, basquete, handebol etc. Joga-se, joga-se e, se chegar a uma final, ganha-se uma escassa medalha. Também não adianta investir em esportes que distribuem muitas medalhas, mas cuja competição internacional é acirrada.

Estou falando de natação, atletismo, judo, boxe, ginástica artística etc. A estratégia que o Brasil precisa adotar é outra. Investir em esportes que distribuem muitas medalhas, mas cuja competição não é tão acirrada. Estou falando em começar a fazer um trabalho sério para sermos bons em esportes como levantamento de peso, tiro ao alvo, etc. Foi isso que os chineses fizeram e ganharam um monte de metal. Mais metal que os americanos. Isso é que é ser inteligente em termos olímpicos. E não adianta franzir o nariz: ah! Mas torcer para levantamento de peso? O Brasil não tem tradição olímpica nisso. Bem, em que esporte o Brasil tem tradição olímpica, meu Deus? Atletismo? Natação (a primeira medalha de ouro foi conquistada na última olimpíada…)? Não me faça rir. Pelo menos, haverá um lado cômico. Imagine o Galvão Bueno se esgoelando na narração de um brasuca levantando 200 quilos acima da cabeça… Como diziam os mercantilistas, o que importa é acumular metais. É o metalismo olímpico!

Trilha Sonora do Post

Falou em Olímpiada, não podia faltar “Chariots of Fire”. É música superclichê, mas até que é legal:

Namorar custa caro!

fevereiro 22, 2011

Deu no Newsweek: o investimento que um homem faz durante o namoro e o noivado até o casamento é da ordem de 40 mil dólares! São gastos (ou investimentos, diriam os marqueteiros de plantão) como jantares, presentes, jóias, roupas etc.

Agora o incrível é o resultado de uma pesquisa que entrevistou 1.134 homens e mulheres que afirmaram que casam por dinheiro! E disseram quanto pretendem conseguir com o matrimônio: todos queriam não menos que 1 milhão de dólares. Alguns “apaixonados” disseram até 2 milhões de dólares!

A professora Catherine Sura, uma espécie de economista do casamento, da Universidade de Washington, que estuda cientificamente o comportamentos dos pombinhos, concluiu que os homens ficam mais felizes que as mulheres no momento do casamento. A explicação é que eles esperam parar de gastar com a corte da amada. Mas será que deveriam ficar felizes mesmo.

Alguns anos atrás uma pesquisa do Instituto Nacional de Vendas e Trade Marketing (Invent) investigou o hábito de 320 famílias, de todos os estratos sociais, e concluíram que o custo de criação de um filho, do nascimento até o fim da faculdade, pode chegar a 1,6 milhão de reais! Perto desse número, 40 mil dólares é pouco. Talvez seja melhor continuar namorando, dando aquela boa enrolada, e evitar o casamento com filhos.

O link com a notícia do Newsweek é: http://www.msnbc.msn.com/id/23131216/

Trilha Sonora do Post

Às vezes o amor é estranho. Mas uma coisa é certa: ele sempre é caro. “Strange love” do Depeche Mode: